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Sertã
A Câmara Municipal da Sertã apresentou o livro “Sertã a preto e branco: Memórias de 1974”, que reúne uma recolha fotográfica realizada na Sertã pouco depois do 25 de Abril de 1974, documentando locais de trabalho e de lazer, actividades do dia a dia na vila, pontos de encontro.
O resultado desse trabalho foi apresentado na exposição “Sertã a Preto e Branco”, patente em Agosto desse ano, no miradouro do castelo da vila. Trinta e quatro anos passados sobre esta experiência, o livro revisita a memória dessas imagens. Os mais velhos poderão reconhecer lugares e pessoas e espantar-se com o envelhecer das crianças de 1974. Talvez atribuindo hoje novos sentidos às imagens de ontem, os mais novos descobrirão uma visão da sua terra num tempo difícil, mas esperançoso, de um país a renascer.
Para José Paulo Farinha, trata-se de um livro que faz lembrar as memórias da sua adolescência: “tempos difíceis para a geração que nessa altura tinha entre os dezasseis e vinte anos.” “O quotidiano não era fácil, a Liberdade era um sonho”, refere o autarca, recordando “companheiros perdidos, mas em cada dia reencontrados na fraternidade das lutas e na perenidade das esperanças”.
“Quarenta e tal anos depois – hoje e neste mundo nosso muita coisa mudou – ganhámos a liberdade, recuperámos o direito à palavra e reaprendemos a construir colectivamente o nosso destino.” José Paulo Farinha refere que um longo caminho foi percorrido, havendo, porém, “um extenso percurso para palmilhar. A tarefa está longe, muito longe, de estar acabada e só o estará no dia em que se concretizarem todos os nossos sonhos,” finaliza o autarca.
Os autores da publicação são Joaquim Simões, Pedro Calapez e João Farinha. Pedro Calapez referiu que o livro resulta de uma teimosia, realçando que tinha guardado os negativos e as provas em papel que vieram a ser usadas neste livro que reflecte as memórias dos anos 70.
Sobre esses tempos referiu que chegou a haver cinema e teatro. Os jovens dessa altura, mas principalmente ele e os colegas, quando se encontravam, tinham vontade de fazer coisas novas e trazer cultura à Sertã. “Tenho sempre saudades dos encontros românticos na Fonte da Pinta. Muitos desenhos meus começaram aí”, referiu, acrescentando que o livro reflecte um sentimento de nostalgia e alegria, “por termos vivido e conhecido os locais retratados no livro. Este trabalho é o nosso olhar sobre a vila da Sertã”, concluiu.
Já João Farinha, também co-autor, agradeceu o facto da Câmara Municipal ter tido o bom senso de publicar o livro, apelando aos jovens para captarem imagens da Sertã de hoje, para que daqui a 20 ou 30 anos se possa fazer um trabalho semelhante.
No final, o Presidente José Paulo Farinha deixou o desafio de poder vir a compilar em livro as ilustrações em desenho “Zé do Pinhal” que saem, semanalmente, no Jornal a Comarca da Sertã. A ideia é publicar o livro no próximo ano.
Comemorações da atribuição do foral
O presidente da Câmara da Sertã, José Paulo Farinha fez uma exposição sobre a atribuição do foral à vila da Sertã.
Em 20 de Outubro de 1513, precisamente há 495 anos, o Rei de Portugal outorgava ou reconcedia o foral à Vila, que na altura era constituída por 271 povoações, 466 fogos e 1232 vizinhos.
Através da concessão do foral à Sertã por D. Manuel I foram confirmadas à Ordem do Hospital as regalias que lhe haviam sido concedidas nos princípios da monarquia portuguesa.
“De entre essas regalias que ao longo dos anos e por diversas razões influenciaram a nossa vida colectiva, relevo o direito de portagem e o de aforar as águas das ribeiras e rios para moinhos e caneiros”, sublinhou.
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