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1ª Página :: Economia & Negócios :: Os últimos resineiros do Pinhal

Os últimos resineiros do Pinhal Imprimir e-mail
Escrito por P.M.   
03-Set-2008

Sertã

resineiros_1.jpg No concelho da Sertã laboram os últimos resineiros de toda a Zona do Pinhal. São quatro os “últimos resistentes”.

Com pouco mais de 40 anos, Manuel Silva resina cerca de duas mil árvores, um trabalho que realiza há cerca de 15 anos. Labora como funcionário de uma fábrica de resina de Leiria, que lhe paga o respectivo salário. Toda a gema que recolhe, cerca de três mil quilos por ano, é transportada para a unidade industrial. Outrora, laborou por conta de vários patrões e, ocasionalmente, por conta própria.

O resineiro resina árvores na freguesia do Cabeçudo, onde subsistem os últimos pinhais do concelho, que resistiram aos fogos florestais. Esta foi uma das razões para o declínio desta actividade, apesar de haver outras. Algumas fábricas encerraram; a resina chega mais barata do Brasil e China; o envelhecimento da população e a diminuição dos preços. Por outro lado, os jovens ou amigaram ou empregaram-se noutras coisas, não se dedicando à extracção da resina.

Plástico, aguarrás e colas são algumas das utilizações deste produto, cada vez mais escasso, uma vez que todos os anos ardem áreas significativas com árvores adultas.

Alguns proprietários estão mesmo a cotar maciçamente os pinhais que restam, temendo a chegada do fogo. Depois de queimada a madeira perde bastante valor.

Mário Silva realça que este trabalho é duro, pois é preciso transportar a gema em recipientes pelas encostas acima, em plena hora de calor. Hoje em dia resina apenas as árvores com melhores acessos. Nas zonas de maior declive os pinhais ficam ao abandono, o que, diga-se é um desperdício, na medida em que se trata de uma matéria-prima que não é explorada e não gera receitas. Mário acredita que se os preços fossem mais altos, haveria mais pessoas a dedicarem-se a esta actividade. Há 15 anos, a maior parte dos pinhais eram resinados. Longe vão os tempos em que, com a ajuda dos sobrinhos, chegou a explorar oito mil pinheiros.

O resineiro pretende continuar nesta actividade, que funciona como suplemento económico, até a fábrica a aceitar, até porque sublinha que esta resina tem mais qualidade do que aquela que vem do estrangeiro

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