|
Proença-a-Nova
A Câmara Municipal de Proença-a-Nova e o Centro Ciência Viva da Floresta organizaram a primeira de uma série de conferências que vão acontecer em Proença nos próximos tempos.
Como será a Internet do futuro? Como será o nosso futuro com essa Internet? A nossa segurança, privacidade, confiança e dependência na relação com a rede? Quais serão os elementos constituintes da Internet do futuro?, eis algumas das questões que foram abordadas na primeira conferência, subordinada ao tema a “Internet do Futuro”.
A conferência insere-se num ciclo mais vasto de palestras que se pretende realizar de tempos a tempos. Serão abordados temas nacionais e internacionais e sempre que possível será feito um zoom para o Concelho de Proença.
O presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, João Paulo Catarino, anunciou que o objectivo é perspectivar o Concelho e aquilo que pode acontecer daqui a 20 ou 30 anos. Serão convidadas pessoas e técnicos que melhor poderão falar sobre os vários temas que serão abordados nas palestras. A próxima versará, eventualmente, sobre desenvolvimento sustentável e desenvolvimento nos territórios de baixa densidade, a ter lugar no início de Setembro, sendo Oliveira Baptista o orador convidado.
A conferência foi moderada por Jorge Lopes, um engenheiro informático natural do Concelho de Proença, que também contactou os oradores servindo, assim, de ponte entre eles e o Município de Proença. Jorge Lopes referiu que a questão da Internet “é um assunto em que tenho investido boa parte da minha vida, é um tema de momento que nos envolve a todos”.
Considerou ainda que a Internet é um factor de equidade, pois torna os homens iguais, no sentido em que ficam todos com um instrumento que dá acesso àquilo que o mundo tem de melhor. “A internet tem um forte impacto na sociedade e na forma como nos relacionamos”, frisou ainda.
Paquete de Oliveira, professor, sociólogo, actual provedor do telespectador da RTP, e escritor com publicações na área das Tecnologias da Informação e Internet, falou sobre a Internet e Sociedade. Referiu-se à Internet como um instrumento tecnológico formidável, com imensas vantagens, onde vislumbra o facto de quebrar o isolamento das pessoas e das regiões.
Referiu depois que vivemos num mundo global, com a internet podemos estar em cada local e em todo o mundo ao mesmo tempo”. Socorrendo-se de um exemplo histórico referiu que na época das Descobertas, Portugal foi o país que mais globalizou o mundo. Um mundo hoje cada vez mais global (aldeia global), muito devido à Internet, uma tecnologia nova, de ponta, prodigiosa naquilo que permite”.
Paquete de Oliveira referiu-se ainda à Net como uma inesgotável fonte de informação, uma formidável base de dados, uma espécie de biblioteca à escala global, realçando também que a Rede permite hoje fazer negócios, que estão à distância de um clik. Os pequenos negócios são cada vez mais frequentes na internet. É também possível, por exemplo, participar num leilão de arte que decorre em Nova Iorque.
Paquete de Oliveira referiu também que a Internet é um grande meio de conversação electrónica, sendo aquilo alguns lhe chamam um prolongamento dos sentidos. Como exemplo referiu os casamentos que acontecem através deste meio. O especialista destacou ainda que a Internet vai representar o fim dos jornais com edição em papel. Embora saliente que, por razões de ordem civilizacional, os jornais em formato papel e o livro não vão desaparecer. E explicou que no passado quando uma região era conquistada, o povo invasor arrasava tudo. Hoje, pelo contrário, a sociedade actual conserva os objectos das outras civilizações.
José Fernandes, director do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento e Academias da Microsoft Portugal, abordou o tema da Internet e Serviços. Referiu que o ano de 1995 representou o ano da democratização da Internet, acrescentando que há hoje quem trabalhe a partir de casa, pois a Internet permite desempenhar diversas tarefas. Não é preciso estar já na empresa, pois a partir de casa podemos fazer tudo, independentemente de onde estivermos.
“Não consigo viver sem Net”, confessou, salientando que podemos criar os nossos próprios conteúdos para colocar na Rede. Podemos interagir com o mundo a partir de um conjunto de dispositivos, como é a internet e até o telemóvel. Fernandes referiu ainda que muitos dos anunciantes estão a preferir cada vez mais a Net para colocar os seus anúncios e vender os seus produtos, pois é um meio mais eficaz. Usando este meio, um produto chega depressa ao conhecimento consumidor. Estamos, assim, perante uma nova forma de fazer negócios, o que trará muitas vantagens para as empresas.
Já Celso Martinho, fundador e Director do Portal SAPO, falou de Internet e Tecnologias. Alertou para o problema do excesso cada vez maior de informação na Internet, que cresce de forma caótica. Sublinhou que há uma forma caótica de produzir conteúdos. Pode acontecer que, muito em breve, as ferramentas de que dispomos não vão conseguir eficiência, por exemplo a nível dos motores de busca, por isso há que colocar ordem nos conteúdos.
|