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Zona do Pinhal
A madeira de pinheiro bravo da Zona do Pinhal é, a nível de madeiras de pinho, a mais resistente da Europa. Esta é a grande conclusão do trabalho de investigação levado a cabo pela Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra(FCTUC), com vista a valorizar este produto, nomeadamente os troncos de baixo diâmetro.
Os objectivos deste projecto prendem-se com a valorização do recurso florestal, a obtenção de um novo produto estrutural, que são elementos estruturais da madeira de pinho bravo com secção circular e o desenvolvimento de novas soluções construtivas.
A Faculdade já realizou ensaios com mais de cem toros de baixo diâmetro. Vão ser ensaiados mais. Foi feita a comparação entre os resultados obtidos no laboratório da FCT UC e os alcançados em projectos semelhantes realizados na Europa. A nível de resistências médias em flexão, obteve-se bons efeitos. Destaca-se claramente que a madeira do pinheiro bravo da Zona do Pinhal é a mais resistente de todas.
Por exemplo, o pinheiro da Holanda é menos resistente. Todas as outras madeiras de pinheiro existentes, com grande aplicação a nível de estruturas, têm resultados muito abaixo da madeira da Zona do Pinhal. Para Alfredo Dias, da FCTUC, isto mostra que a madeira tem muita qualidade e temos uma matéria-prima que pode ser interessante e ter desempenhos mecânicos muito agradáveis.
A nível de deformabilidade, a madeira de pinheiro da Zona do Pinhal tem também menos elasticidade do que qualquer outra existente no mundo. Quando é aplicada um determinada força, deforma-se muito menos que as outras.
Na presença da comitiva da Zona do Pinhal que foi a Coimbra, realizaram-se dois ensaios no laboratório da FCTUC, um de flexão e outro de compressão da madeira. No ensaio de compressão é aplicada uma força de compressão nas duas extremidades de um tronco, na direcção das fibras, com o aumento da taxa da força constante, até haver cedência e rotura das fibras do tronco, que será esmagado. No ensaio, o toro suportou 26 toneladas.
No ensaio de flexão pretende-se medir a deformabilidade de um tronco por aplicação de uma determinada força, para ver quanto é que se deforma e qual é a resistência à flexão. O tronco é colocado em dois apoios e são aplicadas duas forças, até partir. Numa primeira fase mede-se as deformações. Tipicamente, a rotura em flexão começa numa fenda ou num nó. No ensaio, o tronco suportou 3,5 toneladas, ou seja, 980 quilos por centímetro quadrado.
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O projecto de Valorização da Madeira de Pinheiro Bravo desenvolve-se em três fases. Neste momento, está-se na etapa um, em que o objectivo é obter um produto de construção, ou seja, determinar as propriedades mecânicas do produto para o poder aplicar em estruturas. É preciso saber a massa volúmica, a elasticidade, a deformabilidade, a rigidez, a resistência à flexão, à compressão, à tracção, ao corte e à tracção, compressão e deformabilidade na direcção perpendicular às fibras.
Na fase dois proceder-se-á ao desenvolvimento de soluções técnicas, ou seja, que viabilizem a aplicação estrutural deste elementos. A fase três consiste na aplicação na prática deste tipo de estruturas.
Na fase 1 há diversos objectivos, tais como avaliar a matéria-prima disponível e as condições de obtenção; o desenvolvimento de métodos para a sua selecção e classificação; a caracterização mecânica dos elementos classificados. Os elementos são seleccionados, mas para serem aplicados em estruturas há a necessidade de saber quais as características técnicas do produto. Outros objectivos passam por propor formas de organizar e implementar estas metodologias a nível industrial; a produção de uma norma de classificação do pinho bravo de secção circular para aplicações estruturais; a produção de um documento com os valores de resistência definidos na norma e a criação dos documentos com indicações para aplicação industrial destes processos.
O objectivo é também envolver os diversos agentes, nomeadamente os produtores florestais e as indústrias ligadas aos sectores da madeira e da exploração florestal. Mais adiante serão envolvidas as indústrias ligadas ao sector da construção e os utilizadores finais, que têm que ser parte deste projecto.
De referir que o conhecimento retirado deste estudo será muito útil para todo o sector florestal e para a madeira portuguesa, mas, como salienta Alfredo Dias, os resultados obtidos são directamente aplicáveis e válidos para a madeira proveniente da região do Pinhal Interior Sul.
A 1ª fase de apresentação do estudo de valorização, promovido pela Associação Pinhal Maior, decorreu em Coimbra, no auditório da FCTUC, contando com a presença do presidente da Câmara de Oleiros, o vereador Paulo César de Vila de Rei, presidentes de Junta de Freguesia, técnicos florestais, industriais do sector madeira, produtores florestais e associações florestais.
Este projecto será desenvolvido até Julho de 2008. Oportunamente serão apresentados mais resultados. Começar-se-á a fazer a preparação de um documento de classificação, para poder ser aplicado em estruturas. Caso contrário não pode ser usado nesse âmbito.
João Negrão, da FCTUC, destacou que este trabalho é de grande importância, pois irá permitir a valorização em termos económicos e de imagem da madeira do pinheiro bravo, uma grande riqueza de toda a região do Pinhal Interior Sul, numa lógica sustentável de valorizar a floresta, e potenciar o uso de um produto na construção.
“Devem ser estimuladas todas as iniciativas que visem diversificar as aplicações da madeira, nomeadamente no desenvolvimento de produtos que possam trazer valor acrescentado a este sector”, referiu ainda.
O responsável frisou também que os testes estão a mostrar que a madeira de pinheiro bravo portuguesa tem uma qualidade muito boa, apresentado desempenhos mecânicos em nada inferiores às suas congéneres europeias.
José Paulo Farinha, presidente da Pinhal Maior, salientou que a floresta é, na região do Pinhal Interior Sul, pela sua dimensão e características, um inequívoco e relevante recurso de desenvolvimento sustentável.
“O projecto apresentado é um passo para a inovação e conhecimento, como factores de diferenciação. Este projecto inovador, e de particular importância para o Pinhal Interior Sul, irá valorizar um recurso da nossa região-a madeira de pinho, e potenciar a sua utilização para outros fins, novas utilizações, novos produtos e novos mercados”, referiu ainda.
O chefe de projecto PIC Leader +, Rui Batista, disse que este projecto de valorização da madeira de pinho pode trazer valor acrescentado.
“Este projecto é importante porque introduz conhecimento, valor acrescentado e diferenciação de produto. Aproveita um recurso natural, mas dando-lhe um valor acrescentado. Tem resultados excepcionais, logo é quase inevitável que tenha sucesso”, acrescentou ainda.
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