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Sertã
A Associação Desportiva do Outeiro e Calvos, da Sertã (ADOC), organizou um desfile de Carnaval, que contou com a colaboração de outras colectividades do Concelho.
A tradição do Carnaval da ADOC diz que o corso deve ser integrado por burros e carroças e este ano não fugiu à regra. O desfile de Carnaval já se realiza há 10 anos (com interregno em 2007), mas sempre no Outeiro da Lagoa. Este ano, teve lugar na Sertã, com início junto à Câmara Municipal, descendo a Rua do Vale, e passando pela Rodrigues Caldeira até à Carvalha, onde terminou.
Nas edições anteriores foram centenas as pessoas que se deslocavam ao Outeiro para assistir ao Carnaval. Mas a falta de condições, nomeadamente a nível de espaço para estacionar e mesmo para realizar o desfile, fez com que fosse transferido para a Sertã. Do Outeiro até à vila, tanto os sete burros como as respectivas carroças foram transportados em camiões. Ambos são pertença das pessoas da localidade, uma vez que ainda subsistem ali alguns destes animais. No desfile, os burros foram conduzidos pelos próprios donos, de modo a que estivessem sempre calmos.
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Participaram no corso seis locais do Outeiro da Lagoa: Giesteiras, Olival, Outeiro, Gordinheira, Cardal e Portela, cada um com uma carroça e um burro. As carroças levavam mensagens, em forma de cartazes, alertando para alguns dos problemas com que aquelas populações se debatem e muitos recados para os políticos locais. O não funcionamento da ETAR, a perigosidade da rotunda da Eirinha, o mau-cheiro provocado por uma pecuária e a água da rede pública imprópria para consumo, foram alguns dos problemas relembrados.
De acordo com um elemento da ADOC, não são precisos grandes meios para organizar um desfile, o que prova que se pode fazer um Carnaval sem gastar muito dinheiro e divertido, acrescentando que devem ser as associações a promover o Carnaval, libertando as Câmaras Municipais dessa tarefa.
A ADOC lançou este ano o convite a diversas associações do Concelho, no sentido de se associarem a este evento. O resultado foi positivo. Veio um grupo do Nesperal e outro do Cabeçudo. Os seca-adegas animaram o desfile com a sua música. O facto de estar a chover impediu que viessem mais colectividades.
A ASAE foi também criticada. Neste caso, a ASAB, Autoridade para a Segurança Alimentar dos Burros. A reflorestação maciça com eucaliptos, sem qualquer regra, que decorre nas margens da ribeira do Outeiro, foi também criticada, bem como a promessa ainda não cumprida da colocação de esgotos.
O desfile foi alinhado junto à Câmara Municipal. À frente seguiu um burro carregado de farinha e milho, a fazer lembrar os antigos moleiros. O animal levava inscrito um letreiro que dizia: “Eu não fui burro. Não votei”. Uma clara crítica ao poder local, como conta Luís Rodrigues, presidente da Assembleia-geral da ADOC.
Do Nesperal veio um animado grupo de jovens, com uma carroça e um burro artificial. O divertimento foi geral, uma vez que os rapazes que conduziam a carroça davam a entender que o burro era real, e um animal bravio, difícil de controlar pelo arrieiro. Diversas vezes investiram de encontro ao público. Em cima da carroça vinha palha para o burro, uma mini-aparelhagem e um pipo cheio de vinho, com a sugestiva inscrição: “Há vinho para cabrões”. Iam parando e bebendo ou oferendo ao público. “ Sou um burro novo, já me sinto cansado, vou para o desemprego, para mamar o Estado”, podia-se ainda ler.
O grupo era constituído por 15 jovens que, assim, trazendo um burro artificial, quiseram alertar para a possível extinção deste animal. No próximo ano esperam voltar.
Pela Rua do Vale circulou ainda uma ambulância, com diversos enfermeiros que apanhavam os mais desprevenidos do público e colocavam-nos numa maca. Dois carros velhos, com estridentes motores desceram também a rua. Um deles estava envolvido em densa rede e no topo vinha alguém sentado num sofá. O outro veículo foi cortado pelo meio e transformado numa espécie de varanda, transportando duas ou três pessoas. Alguns mascarados individuais integraram também o desfile. Não faltaram também as críticas ao presidente de Junta, e até o PSD local, apelidado de “os caídos”. A situação que se vive na Rotunda da Eirinha, onde ocorrem acidentes frequentes, por má concepção da mesma, também foi criticada, bem como a falta no local de uma placa que indique a direcção a tomar para quem ir para o Outeiro. O desfile foi presenciado por milhares de pessoas, vindas até dos concelhos vizinhos.
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