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Opinião

Hélio Bernardo Lopes

A Propósito de um Artigo Científico
por Hélio Bernardo Lopes

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1ª Página :: Sociedade :: Que desenvolvimento possível para o Interior Centro do País?

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Que desenvolvimento possível para o Interior Centro do País? Imprimir e-mail
Classificação: / 1
FracoBom 
Escrito por P.M.   
09-Nov-2008

Sertã

desenvolverinterior_1.jpg A Câmara Municipal da Sertã organizou o debate Que Desenvolvimento Possível para io Interior Centro do País, em que alguns especialistas falaram sobre a situação do Interior e propuseram algumas medidas para criar postos de trabalho e inverter o rumo do envelhecimento da população.

Para António Pinheiro, a indústria é um dos elementos que pode potenciar a recuperação da atractividade da região. No seu entender deve criar-se um cluster tecnológico, que vem na linha das grandes preocupações da União Europeia; procurar atrair empresas da área das novas tecnologias e vender produtos com valor tecnológico e acrescentado. Referiu a necessidade de criar um projecto âncora que criasse à sua volta empresas, e atraísse gentes das universidades que se quisessem instalar. Esse cluster, que poderia exceder a dimensão de um concelho, teria o protagonismo de um concelho, mas contaria com a junção de vontades de outros municípios. A ideia passaria ainda por apoiar as micro e pequenas empresas e fomentar a cooperação entre empresas e centros de saber.

projeccoes_1.jpgCarlos Medeiros abordou a questão dos Recursos Humanos, Cultura e Inovação. Alertou para a necessidades das câmaras municipais cooperarem entre si, realçando ainda que os presidentes de Câmara devem chegar aos empresários e dizer que cada um deles conta. Como na região existe pouco capital humano e pessoas habilitadas, deixou a ideia da criação de uma bolsa de competências em que, por exemplo, um mesmo técnico serviria duas ou três empresas.

A questão do turismo é outra área em que se pode apostar para desenvolver a região. Carminda Cavaco, especialista nesta área, falou do turismo não como solução milagrosa para o desenvolvimento do interior, mas uma boa ajuda. No seu entender, é necessário agir na área do turismo e encontrar estratégias que envolvam os vários concelhos de uma determinada área.

Referiu ainda que o despovoamento de uma região pode não ser assim tão dramático, desde que se saiba encontrar um novo equilíbrio com os recursos existentes, onde se destaca o turismo. A vinda de turistas implica mais consumo, por exemplo na restauração e compra de outros bens. Isto criaria alguns empregos na área turística. Ao operador turístico recomendou a posse de várias competências: conhecer línguas, educação, cultura, conhecimento da região, capacidade de comunicar os atractivos a nível de património e gastronomia, tanto do Concelho como da região.

Referiu que o cliente turístico é hoje mais exigente, pois valoriza a vida e a saúde. “Passa o dia ao projeccoes_4.jpgcomputador e quando vem ao fim-de-semana precisa de se mexer: fazer exercício físico, comer e beber bem”, notou. A especialista em turismo referiu que devemos fixar-nos cada vez mais na clientela portuguesa, uma vez que os ingleses e irlandeses estão a deixar de vir.

Como vantagens da região para receber turistas, enumerou o facto de haver acessibilidades, vias rápidas, existência de recursos: património, rural, ambiente natural não poluído, biodiversidade, tradição, modos de vida e produtos locais, tais como queijo, azeite e cabrito; haver recursos humanos, estar perto das grandes cidades, existência de aldeias de xisto e de um conjunto de aglomerados para cria um produto turístico sofisticado, haver turismo de gastronomia e espaço rural, entre outros atractivos.

O presidente da Câmara da Sertã, José Paulo Farinha, referiu ser necessário, para desenvolver a região, melhorar 2 ou 3 acessibilidades que a cruzem de norte para sul e ter uma estratégia de desenvolvimento sustentável para toda a zona.

“Continuarei a lutar pelo Concelho e pela região para tentar sair do marasmo, pois esta região continua a não ter grandes perspectivas de futuro”, destacou.

Carlos Medeiros destacou que deve haver uma estratégia de desenvolvimento para o Interior, que tem que ser imposta pelos autarcas em conjunto e não cada um a puxar para seu lado. Os autarcas devem encontrar uma imagem de marca para a região e tentar negociá-la. A floresta, a área tecnológica e o turismo devem ser aposta.

Autarcas presentes 

O vice-presidente da Câmara de Penamacor, António Cabanas, referiu que o drama do Interior não é ter pouca gente, mas ter a estrutura etária da população desequilibrada e envelhecida.

A presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão, Maria do Carmo Sequeira, realçou que as acessibilidades são muito importantes para desenvolver uma região, acrescentando que não há desenvolvimento local de uma região sem a participação activa das pessoas e dos autarcas. A edil realçou ainda que o seu Concelho sofreu uma perda de 20 por cento de população nos últimos 10 anos.

O deputado da Assembleia da República, Jorge Seguro, salientou que as grandes cidades não serão sustentáveis no futuro. As pequenas sê-lo-ão muito mais. Disse ainda que deve seguir-se uma estratégia que passe pela aposta nas novas energias e nas tecnologias, que permitam que as pequenas aldeias e vilas sejam mais competitivas.

O vereador da Câmara da Sertã, Joaquim Patrício, destacou que o Interior precisa de políticas sectoriais. Encontrar solução para o problema da desertificação, as empresas recrutarem mais empresários e os concelhos realizarem projectos em comum, devem ser também preocupações.

O técnico da Associação Pinhal Maior, Augusto Nogueira, referiu que a estrutura desequilibrada da população vai acentuar-se ainda mais. Criar uma imagem de marca para região e apostar em indústrias criativas que potenciem o crescimento económico, devem ser apostas.




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