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12

Jan

Livro “Portugal a pé” apresentado na galeria municipal
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Livro "Portugal a pé" apresentado na galeria municipal


Durante a viagem de dois anos pelo interior do país, o jornalista Nuno Ferreira passou dois dias no concelho, a bordo da Bibliomóvel

 


Em 2009, quando ia a meio da sua aventura de atravessar o país a pé, o jornalista Nuno Ferreira cruzou-se com a Bibliomóvel na praia fluvial de Alvito da Beira. Durante dois dias, andou pelo concelho de Proença-a-Nova a bordo da biblioteca móvel, a acompanhar Nuno Marçal e o acordeonista Manuel do Malhadal, que participava numa iniciativa de animação de Verão. O inesperado encontro é relatado no livro "Portugal a Pé" e foi recordado sábado na galeria municipal como "um dos momentos grandes da viagem" pelo interior do país.

Na apresentação do livro, que juntou dezenas de pessoas, Nuno Ferreira afirmou ser "gratificante regressar a Proença-a-Nova sem ser de uma forma tão esforçada e ter tanta gente com curiosidade" de ouvir contar a sua aventura. Entre 2008 e 2010, o jornalista percorreu a pé o dito Portugal profundo e descobriu um país muito mais despovoado do que estava à espera. "As pessoas estão muito carentes e com desejo de contar as suas histórias", sentiu. Depois da desconfiança inicial de algumas pessoas com que se ia cruzando, acabou por se gerar "uma empatia muito grande".

Quando se lançou à estrada, em 2008, Nuno Ferreira escolheu Sagres devido à simbologia das Descobertas: partiu à descoberta do país que só aparece nas televisões quando há incêndios ou tragédias. Foi um primeiro passo de nervosismo e ansiedade, mas o último, dois anos depois, acabou por ser mais difícil. Esteve mais de dois meses bloqueado, sem conseguir escrever, reajustando rotinas depois de tanto tempo em movimento.

A terminar a apresentação, ouviu-se o acordeão e a voz de Manuel do Malhadal. "Os dois dias que passei no concelho foram bastante marcados pela música do ti Manel", comentou Nuno Ferreira. Ao andar pelo país a pé, com tempo para conversar e tomar o pulso às características de cada região, o jornalista procurou romarias, encontros de concertinas e outras manifestações da cultura popular. São essas descobertas - ou as mais significativas - que relata no livro resultante da iniciativa.

 
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