Seg 21 Dez |
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O medronheiro parece ser cada vez mais aposta viável na zona do Pinhal, principalmente no concelho de Oleiros, onde há mais aptidão de solos e clima. Jorge Simões dedicou-se com afinco à plantação deste arbusto, em 15 hectares, no Estreito. No total são seis mil árvores, plantadas há quatro anos. O crescimento tem sido elevado. A produção vai ser intensiva para obter retorno do investimento realizado. Estudioso da espécie medronheiro, Jorge Simões vai vender os seus medronhos para o Algarve, onde serão transformados em aguardente. No futuro poderá mesmo criar uma marca própria com rótulo e ter " o melhor medronho no mercado nacional". Mas tudo depende da qualidade quantidade do produto que vier a obter. Desafia outros a seguirem-lhe o exemplo investimento na plantação de medronheiros, mas destaca que há regras que devem ser cumpridas para obter uma boa aguardente, desde logo colher apenas os medronhos maduros, não colher folhas e outras impurezas e as barricas serem bem limpas. Já está a fazer contactos com os fabricantes, apresentando-lhes as suas ideias e a dinâmica da plantação. "Na minha mão está matéria-prima limpa e madura. Temos três anos para definir tanto quanto possível, as quantidades e até, as parcerias, se for caso disso. Certo é que, já está em equação colocar a cereja em cima do bolo, numa das mais conceituadas linhas de vinhos e aguardentes deste País, com sede no Carregal do Sal", informa. O seu objectivo é ter uma das medronheiras mais requintadas. Crítica ainda muitos dos actuais produtores que vão para o campo(a apanha é livre em muitos locais) e arrancam todos os medronhos, verdes e maduros e até folhagem. Como razões para ter investido na região, Jorge Simões fala do facto da mulher ser natural do Estreito e possuir os terrenos; depois o facto do medronho ter saída e a aguardente ser caríssima. "Como o preço por litro é elevado, compensa contratar mão-de-obra". Para proteger dos incêndios tem os terrenos limpos, sem mato, com aceiros em redor e caminhos no interior. Como possui três minas pode vir a instalar bocas-de-incêndio. Se as geadas vierem a afectar, pode introduzir um sistema de aspersão que esteja activo durante a noite. No próximo ano pensa colher já bastante quantidade, que aumentará de ano para ano. Os terrenos foram devidamente charruados e as árvores plantadas e alinhadas em socalcos. Não usa adubação. Como os solos são ácidos procede à sua correcção. Não são lavrados. Os matos e plantas daninhas são arrancadas ou cortadas com uma enxada. Os solos têm alto teor de matéria orgânica. Neste momento ocupa diariamente um trabalhador. Vai ter frequentemente trabalhadores a laborar na exploração. Abílio Coelho foi o mestreJorge Simões começou a plantação praticamente sem ajudas técnicas, uma vez que não existem estudos sobre o medronheiro, que começam agora a aparecer. Foi desbravando caminho e aprendendo com a experiência. No entanto, bebeu alguns conhecimentos nos camponeses locais, principalmente Abílio Coelho, que já desenvolvia uma técnica que implantou na sua exploração: obrigar as árvores a expandirem-se na horizontal e não tanto na vertical, compassando os ramos. Os objectivos são claros: mais entrada de luz no interior da árvore, que influi no amadurecimento dos frutos, facilitar a apanha, e preenche melhor o espaço. Abílio Coelho segue os procedimentos correctos na apanha do medronho. Colhe apenas os maduros, sem folhas e píncaros. Assim, fermentam, obtendo "uma massa amarela", que segue depois para destilaria. Obtém-se uma aguardente de qualidade. Diz-se que o agricultor produz a melhor aguardente do Estreito. Vende tudo o que produz. Unidade de engarrafamento na MadeirãNa Madeirã, concelho de Oleiros, já existe uma pequena unidade de engarrafamento de medronho-a Silvapa. Anualmente produz cerca de duas mil unidades de meio litro de medronho, com marca registada e rótulo legalizado para venda. Segue um processo tradicional de destilação, com recurso a alambique com aquecimento eléctrico. O empresário Paulo Silva explica que este processo permite preservar a qualidade do medronho, uma vez que é possível controlar mais a temperatura do que se usasse lenha. O empresário transforma cerca de seis mil quilos de medronhos, anualmente, adquiridos aos produtores locais ou colhidos nas suas propriedades. O produto final é escoado para todo o país, mas principalmente para o Sul do país. Paulo Silva diz que no norte do país as pessoas não consomem tanta aguardente medronheira, e não "reconhecem as qualidades deste produto" Ainda assim, diz que o produto está a ter cada vez mais aceitação. O empresário lamenta que se venda muta aguardente na candonga, sem qualidade, mas que as pessoas bebem.
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