Sex 11 Dez |
|
Os leitores recordar-se-ão das vicissitudes internas vividas por Francisco Sá Carneiro, ainda antes de se ter tornado Primeiro-Ministro de Portugal. Ora, por razões diferentes, a verdade é que a subida de José Sócrates ao cargo de Secretário-Geral do Partido (designado de) de Socialista também se sucedeu às mil e uma vicissitudes sofridas pelos elementos da anterior direção do partido. Chegados à chefia do Governo, de imediato ambos tiveram mil e uma chatices contra quem se determinou a caluniá-los. Foi assim com o assassinado Primeiro-Ministro, em torno daquela canalhice das ações, e foi agora com José Sócrates, nos termos do que se tem podido ver. Depois, foram as terríveis relações de Francisco Sá Carneiro com o então Presidente da República, António Ramalho Eanes, que chegou mesmo a apoiar de algum modo um novo partido, de molde a secundarizar, numa primeira fase, o Partido Socialista, e numa segunda fase, a fundir-se com o PSD. Também agora, embora de modo distinto daquele, as relações políticas entre José Sócrates e Aníbal Cavaco Silva estão longe de ser as melhores, depois da mutação política operada pelo presidente após a saída de Luís Filipe Menezes, mas, acima de tudo, depois da inenarrável historieta das escutas, ou vigilâncias, a gente do Palácio de Belém. Mas também as relações de ambos com a Igreja Católica foram e são igualmente de tensão. No caso do antigo Primeiro-Ministro, por via do seu divórcio e da sua união de facto com Snu Abecasis, e no caso de José Sócrates, acima de tudo, por via da triste ideia do dito casamento homossexual. De resto, este mais recente conflito entre o Governo de José Sócrates e a Igreja Católica tem vindo a assumir mecanismos mais sofisticados, com indiretas de um bispo nas suas crónicas semanais em certo diário, ou com as intervenções do padre José Maia pedindo o que sabe bem ser quase impossível, ou com a mais recente intervenção do presidente da Cáritas Portuguesa, que nada teve de análise geral, como procurou fazer crer, mas de ataque ao Governo legítimo do País. Por fim, os partidos políticos. Pude já escrever, e por vezes diversas, que ninguém da classe política do tempo desejava a continuação de Francisco Sá Carneiro nesse ambiente, que é o que se passa, precisamente, com o ora Primeiro-Ministro: a extrema-esquerda de há muito se uniu à atual direita parlamentar, num verdadeiro coro político de fazer inveja por esse Mundo fora. Claro está que não voltará agora a ter lugar um assassínio como o de Francisco Sá Carneiro, decidido em Itália, por certa estrutura da extrema-direita com ligações a gente portuguesa com poder. Mas está a tentar operar-se, e quase desde o início, o assassínio da pessoa de José Sócrates, como por igual do seu caráter, deitando mão de mil e uma histórias que acabam sem um mínimo de verdade material. Basta ver o que se passou com o caso Freeport, entre tantos outros, cujas averiguações já foram mandadas encerrar no Reino Unido, por nada se ter encontrado contra ninguém. Por fim, uma questão para o meu caríssimo leitor, mas que é também uma pergunta aos nossos grandes meios de comunicação social, sempre incapazes de ir mais longe do que transcrever o que lhes chega por via de sucessivas delações ilegais: quem são as personalidades portuguesas que fazem parte do Grupo Crlyle? |
![]() |
|