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Seg

30

Nov

Que é feito deles?

Escrito por Hélio Bernardo Lopes   

Hélio Bernardo LopesÉ verdade, meu caro leitor: que é feito de António Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Francisco Balsemão, António Guterres ou Pedro Santana Lopes, que pouco ou nada dizem do estado a que estão a chegar as nossas instituições? É verdade que dos três primeiros foi já possível escutar algumas considerações, com Eanes a falar sobre realmente nada, Mário Soares lançando uma piada inoportuna e com Jorge Sampaio a mostrar-se o único a abordar o tema com alguma fundamentação, embora não indo ao cerne do que já no momento em que falou se perfilava no horizonte da nossa mais forte comunicação social, que era tentar pôr em causa o topo do nosso Sistema de Justiça, só porque a respetiva decisão não era contrária à pessoa do atual Primeiro-Ministro.

Em contrapartida, das restantes personalidades atrás citadas, e até pelo martírio a que foi sujeito o anterior Primeiro-Ministro - e com que ampla colaboração de notáveis do seu partido...-, seria de esperar uma palavra de chamada à razão sobre os mil e um jornalistas ou comentadores que vêm pondo em causa, de modo mais ou menos insinuante e malandro, a honorabilidade das personalidades que encimam o nosso Sistema de Justiça.

E que dizer de António Guterres, mesmo tendo em conta o alto cargo internacional que hoje exerce, ele que se viu na contingência de ter de deixar a governação do País em face do estado pantanoso a que a oposição do tempo havia conduzido a nossa vida política, e que teve os efeitos que se viram e voltam agora a ver-se?!

Que é feito destes nossos políticos, que quase não se ouvem? Acaso não percebem que está em curso uma verdadeira corrida à destruição do que resta da Constituição de 1976 e do espírito que lhe esteve subjacente? Que é feito deles?!

O mais interessante no meio de tudo isto, e que talvez cause até uma admiração forte para os mais incautos ou desatentos, ainda é a interessantíssima entrevista recente de Mário Lino (Soares Correia), sempre com o seu cachimbo, onde exprimiu, e de uma forma precisa, a terrível reação dolorosa que o atual Primeiro-Ministro causa aos seus adversários. É uma porra, mas a verdade é que, com eleições livres parece que não vão lá...

 
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