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A freguesia de Isna de Oleiros é o local onde, em toda a Zona do Pinhal, encontramos mais concentração e interesse pelo castanheiro.
Junto à localidade há diversos soutos. Deste modo, o tradicional magusto, que acontece todos os anos, é memorável. Com organização do ISCA, Isna Sport Club Alvelos, são consumidos cerca de 100 quilos de castanhas, apanhadas no campos em redor. A par das castanhas e para completar a festa houve sardinhada (100 quilos) e também 100 quilos de febras assadas, água-pé e vinho. Manda a tradição que o porco seja morto na Isna, na sexta-feira anterior, por elementos do ISCA e depois transformado em febras, entremeada e costeletas. As castanhas foram assadas em assadores artesanais, com lenha de pinho, castanheiro e medronheiro, como já é hábito. Os petiscos foram servidos na cave da associação. Os elementos desta colectividade e os jovens da terra juntaram-se para preparar as iguarias. A broa de milho, sobremesas e doces foram oferecidos pela população local. A broa da Isna é única na região, com um paladar ímpar. Cozinhada em fornos a lenha, os convivas ofereceram algumas para festa. A água-pé e o vinho foram adquiridos pela colectividade.
A população aderiu em massa. Estiveram presentes cerca de 300 pessoas, entre residentes, naturais não residentes e amigos da freguesia. Assim, há motivos para dizer que o magusto da Isna é dos maiores da região. Decerto que é o mais genuíno.
À noite actuou a Banda Filarmónica Oleirense, como já vem sendo hábito, que actuou no salão.
A Freguesia de Isna é conhecida pela castanha e pão de milho de qualidade. Como conta o presidente da Junta de Freguesia, Américo Gonçalves, este ano a produção de milho foi boa, o que diz dever-se a ter sido um verão quente. Mas o microclima e a abundância de água parecem ser as razões para obter um produto de tão grande qualidade. Os milheirais da Isna são regados a partir de regadio tradicional e o cereal é moído nos tradicionais moinhos de água dispersos ao longo da ribeira. A maioria dos habitantes ainda produz milho, que é seco nas tradicionais eiras de lajeado e guardado nas antigas arcas de madeira. As mulheres da Isna ainda fazem as típicas cozeduras de broa, para consumo próprio ou mesmo para venda. A par da alimentação humana, a farinha destina-se também aos animais ou para venda.
Produção de castanha é tradição
A castanha é outro ex-libris da freguesia. A produção, que é este ano razoável, é escoada para diversas comércios quer de Oleiros ou Proença. Na altura dos magustos também tem grande procura. As encomendas são efectuadas bem cedo, logo em Setembro. Na Isna subsiste ainda o hábito de pilar as castanhas, que depois são vendidas para diversos unidades comerciais em Oleiros. Há quem ganhe algum dinheiro com esta actividade. A época da apanha da castanha tem início depois dos Santos. A partir de 1 de Novembro é mesmo proibido apascentar o gado debaixo dos castanheiros para evitar que consumam as castanhas. A apanha é feita com recurso a uma vara, batendo nos ouriços a fim de retirar o fruto. Depois são ensacadas e seleccionadas. As furadas e bichadas são deitadas aos animais. As de boa qualidade colocam-se em caniços e são secas em fogueira com lenha de torga. Ali ficam até estarem secas. Depois são "pisadas" em cestos de verga com botas de brocha. Hoje algumas já são debulhadas em debulhadeiras. Com o pisar ou debulhar pretende-se retirar a casca da castanha. Depois de pilada é consumida de diversas formas. No passada faziam sopa de castanha com aguardente de medronho. Hoje são assadas ou cozidas com casca. A grande ameada do castanheiro na freguesia parecer ser hoje a doença da tinta. Mesmo assim, ainda há quem aposte em novas plantações
Novas melhorias na Isna
A freguesia de Isna foi recentemente contemplada com diversas melhorias, onde se destaca a construção de um aceiro no extremo do concelho, desde o Picoto Rainho até ao Fundo do Vale Mendo, no limite de freguesia com a Ermida. Os trabalhos desenrolaram-se numa extensão de cinco quilómetros, financiados pela Junta de freguesia e Câmara Municipal. Foi também alargado o caminho florestal ao longo da ribeira do vale da lousa, numa distância de quatro quilómetros. Estas vias servem as propriedades agrícolas, facilitando também a passagem dos bombeiros em caso de fogo. |