Qua 16 Set |
|
A uma primeira vista, que tudo faz crer apresentar grande probabilidade de estar correta, os debates pouco impacto poderão ter na decisão dos eleitores. O mesmo se não poderá dizer da tal avalanche de comentários que de imediato vão para o ar. De um modo geral, e que poucos questionarão, estes terão sido os debates mais esclarecedores de quantos até hoje tiveram lugar entre nós, mau grado terem também comportado alguma tática por parte dos candidatos da direita, sobretudo, do CDS/PP. De resto, esta foi a razão por que Francisco Louçã se mostrou bastante mais comedido do que usualmente, logo desde o início, com José Sócrates, mas também com Manuela Ferreira Leite e com Paulo Portas. Estes debates, contudo, tiveram uma marca decisiva: a defesa, naturalmente autocriticada da ação do Governo, por parte de José Sócrates, e o ataque sistemático ao Governo, e à sua política, por partes dos líderes oposicionistas. De um modo muito geral, quem assistiu aos debates ficou sem saber, de um modo minimamente aceitável, com o que se comprometem os líderes que pretendem derrubar José Sócrates. Em contrapartida, porventura pela primeira vez de um modo sistemático e muito vasto, foi possível escutar do líder socialista muitíssimo do que, em setores diversos, o atual Governo realizou na legislatura que agora vai findar. Significativo é, porém, o quase total silêncio dos diversos líderes quanto ao domínio da Justiça e da Administração Interna. Pensando um pouco, num esforço que nem requer grande sagacidade, muito e muito importante se pode concluir desda espécie de buraco negro... Um dado que os magistrados deverão ter em conta... Muitíssimo diferente é o efeito dos comentários que se seguem aos referidos debates. E são várias as razões para que assim suceda. Em primeiro lugar, a generalidade dos cidadãos está hoje muitíssimo divorciada da vida política e dos seus principais atores. Uma realidade sentida ao dia-a-dia. Uma realidade, aliás, que se estende aos diversos sistemas da nossa vida pública, como se dá com o Sistema de Justiça, hoje profundamente desacreditado. Um descrédito que se deve, acima de tudo, à (quase) completa ausência de condenados de colarinho branco: tudo é sempre nada, ou quase nada. Em segundo lugar, sendo a televisão a principal fonte de informação dos cidadãos, e sendo geral e reconhecido o desinteresse dos mesmos pela política e pela classe política, os comentários acabam por se transformar nas principais fontes de opinião. Aqui se criam vencedores e vencidos, políticos bons e políticos maus, bons e maus programas políticos, por aí fora. Por fim, a cientificamente incorreta escolha de comentadores que, de um modo muito acentuado, se vão pautando por comentários de condenação ao atual líder socialista. O mesmo tipo de comentário, para muitos comentadores, pode ser um erro em Sócrates ou uma jogada de (suposto) mestre em Portas ou Manuela. E também não deixa de ser algo de inacreditável que o tempo de comentário se paute pelo triplo do tempo de cada debate, se se tiver em conta que se dispõe de três canais televisivos. Nem no futebol se atingem extremos desta amplitude! Deixo agora aos leitores uma proposta: passem a estar atentos à sucessão de tentativas de destruição da imagem política, hoje muitíssimo forte, de Francisco Louçã, bem como do seu partido, que virão a ser operadas, precisamente, através dos comentadores televisivos. É que os interesses hoje instalados, depois de mais de três décadas de destruição da Constituição de 1976, através dos partidos que têm tido acesso ao poder, começam a tremer... Já não com o PCP do charmoso comunista que é Jerónimo de Sousa, mas com o Bloco de Esquerda, hoje dirigido por um professor catedrático da mais prestigiada escola universitátia de Economia e de Gestão do País. Preste atenção, caríssimo leitor. |
![]() |
|