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O Direito ao Suicídio é Livre

Escrito por Hélio Bernardo Lopes   

Hélio Bernardo LopesTemos já hoje, e bem à vista, uma autêntica onda gigante de eleições. Pôde já mesmo ouvir-se de Judite de Sousa, na entrevista que fez a José Sócrates, aquela referência sibilina à próxima eleição para o Presidente da República. E quando falta mais de um ano para a referida eleição... Tal não é o que está hoje em jogo na sociedade portuguesa...!

À semelhança do que pude já escrever noutras ocasiões, é muito e muitíssimo importante o que hoje se disputa nas próximas eleições para deputados à Assembleia da República. De resto, já ninguém com um mínimo de bom senso e que preste alguma atenção ao que os nossos líderes políticos vão dizendo poderá duvidar do que realmente está em jogo nestas eleições.

O que desta vez se disputa, e que nos é referido por José Sócrates e por Manuela Ferreira Leite, é a continuação da estrutura humanista e justa do Estado Social, se continuar a atual maioria a governar, ou a sua extinção, com a correspondente entrega ao setor privado e à exclusiva procura de lucro, se a vitória calhasse a Manuela Ferreira Leite.

Ninguém duvida que o Governo de José Sócrates podia ter feito muito mais e, acima de tudo, muito melhor, mas a questão de fundo é a de saber se os portugueses que se foram queixando daquele preferem Manuel Ferreira Leite, com a consequente extinção do Serviço Nacional de Saúde, com o fim da estrutura pública da Segurança Social, e com o acesso ao ensino superior só para quem possa pagar os valores elevados das propinas que se conhecem no ensino superior privado.

Importa esclarecer que a proposta de Ferreira Leite para a Segurança Social comporta o tristemente célebre plafonamento, ou seja, só uma parte pequena da reforma será garantida pelo Estado, ficando a restante entregue ao setor privado, pelo que se surgir uma crise como a atual, bom, lá se vão as poupanças entretanto entregues às empresas privadas, e já não garantidas pelo Estado, como assegura a proposta do Primeiro-Ministro José Sócrates e como atualmente se encontra em vigor.

Quem, como eu, é filho de um norte-americano conhece muitíssimo bem o desastre do modelo em vigor nos Estados Unidos, que só agora começa a sofrer um esboço de modificação por via da recente eleição de Barack Obama. O que o presidente norte-americano está a tentar fazer é adotar o modelo social europeu no domínio da Saúde, perante as vastíssimas franjas de pobreza, mesmo de miséria, que desde sempre têm estado presentes no seu país, precisamente, por via do modelo que Ferreira Leite e o PSD querem agora aplicar em Portugal.

Tal como se exprime no título deste escrito, o direito ao suicídio é livre, pelo que os eleitores portugueses têm na mão a possibilidade de manter as conquistas essenciais que lhes foram conferidas pela Revolução de 25 de Abril, e que ainda se encontram plasmadas na Constituição da República, ou, pelo contrário, embarcarem num caminho de perigosa aventura desconhecida mas destruidora e ainda mais empobrecedora do que o estado a que se chegou.

Veremos ao que nos conduz a prática democrática do próximo ato eleitoral.

 
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