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Ter

18

Ago

Festas da Madeirã mantêm tradição
Sociedade
Escrito por Paulo Jorge F. Marques   

festa madeirãAs festividades anuais em honra do Senhor Jesus do Vale Terreiro e de Nossa Senhora do Bom Sucesso, na freguesia da Madeirã, concelho de Oleiros, estão a ganhar uma nova pujança, muito fruto da acção do Grupo de Amigos da Freguesia que colabora e concede todo o apoio possível. No fundo, a tradição de juntar as duas destas em honra dos dois santos é secular. Sábado e domingo é dedicado ao Senhor Jesus do Vale Terreiro e segunda-feira a Nossa Senhora do Bom Sucesso.

As festas, que decorrem sempre no terceiro fim-de-semana de Agosto, juntam muita gente, desde emigrantes, residentes e não residentes. Aproveitam esta ocasião para estar com as famílias. A tradição manda que nas suas casas se confeccionem doces variados, desde bolo de mel, filhós, cavacas e o maranho. No retiro das suas casas, a festa vive-se em família. No passado havia a tradição de preparar o cabrito, mas esta tradição tem-se perdido.

Outra característica das festividades é o facto de acontecerem três missas, uma para cada dia de festa. No sábado decorre a missa na Igreja Matriz, seguido de procissão para a Capela de Nosso Senhor do Vale Terreiro. A procissão junta uma multidão considerável. No domingo, celebra-se missa na capela, com a procissão a desenrolar-se em redor do recinto de festas. Na procissão seguem as imagens do Senhor Jesus do Vale Terreiro e de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Na segunda-feira, último dia de festa, realiza-se uma procissão desde a capela até à Igreja Matriz, com missa celebrada ali.

As festividades são organizadas por uma comissão, metade residentes na Madeirã e outra metade naturais, mas residentes em Lisboa. O Grupo de Amigos da Freguesia da Madeirã (GAFM) apoia com trabalho e cede equipamentos, instalações, água e luz. Os lucros revertem para o Grupo que os utiliza na manutenção e substituição de equipamentos. Refira-se que o GAFM detém as instalações onde se realizam as festas que compreendem um polidesportivo, sanitários, cozinha apetrechada com churrasqueira, fogões, zona de bar e zona de quermesse. O recinto arborizado vai ser alvo de beneficiação, obras a levar a cabo pela Junta, Câmara, Grupo de Amigos e Fábrica da Igreja Paroquial.

josé augustoNo passado a vertente de romaria estava mais viva. As pessoas cumpriam as promessas em redor da capela, descalços ou de joelhos. As populações da freguesia e arredores traziam os farnéis e almoçavam junto à capela. Decerto outros tempos. Como salienta o presidente do GAFM, José Augusto, no passado as festas juntavam muita gente, pois a população era mais. Nesses tempos montavam-se tasquinhas no recinto das festas, onde serviam vinho, pirolitos de aguardente e até refrescos de limão. Isto há 50-60 anos. Era também lançado o chamado fogo preso. Hoje em dia, a festas continuam, com outras actividades. Este ano, ao sábado, actuaram os alunos da Escola de Concertinas da Lousã. A Filarmónica Aurora Pedroguense e o Rancho Folclórico de Oleiros actuaram no domingo.

Actualmente as festas da Madeirã são uma das maiores da região, ali afluem pessoas dos concelhos da Sertã, Pedrógão Grande, Pampilhosa e Oleiros. Para os forasteiros não faltaram os petiscos, desde frango assado, grelhados e febras. A confecção esteve a cargo dos membros da Comissão de Festas, que o faz gratuitamente.

Concertinas deram "show"

festa madeirãOs Alunos da Escola de Concertinas da Lousã foram convidados à última da hora, pois não estava prevista a sua actuação. Quem assistiu gostou, uma vez que esta actuação fez relembrar o passado, em que alguns tocadores de harmónio e concertina da terra animavam as festividades. Subiram ao palco 18 elementos, sendo o desempenho muito positivo. A actuação das concertinas é para repetir no próximo ano com este ou com outro grupo. A nível desportivo decorreu o 16º Torneio de Sueca. Em disputa havia bons prémios, desde presuntos, almoços ou jantares em restaurantes da região, garrafas de aguardente de medronho, relógios de parede, entre outros. Todos os participantes receberam uma garrafinha de aguardente medronheira.

Romaria muito antiga

A origem da romaria é anterior à fundação da Paróquia em 1732 e perde-se no tempo. A actual capela foi construída em 1874, a expensas de José Rodrigues Mendes. Muitos devotos estão ligados a esta romaria, como José Antunes Martins, que no seu testamento, em 1914, deixa uma renda perpétua, no valor de 100 mil reis para despesas da festa do Senhor Jesus do Vale Terreiro (3º domingo de Agosto) e igual importância para a festa em louvor de Nossa Senhora do Bom Sucesso, que se realiza na segunda-feira seguinte.

 
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